Finalizando...

A história dessa casa tá acabando aqui!

Precisamos mudar, às vezes... Por isso, estou me mudando para minha nova casa, clique aqui e visite, como sempre...

Bem vind@s!

 

 

"Eu protegi o teu nome por amor..."

Depois de tantos anos eu achava que conseguiria. Que conseguiria conviver com você, mas cada decisão sua... Seria mais fácil lidar se cada decisão sua fosse uma paulada nas costas da minha cabeça. E cá estou eu, mais uma vez, nem sei porque, espantada por preferir uma porrada na minha nuca a ter que ouvir qualquer coisa vinda de você.

O que você vai decidir ano que vem? Ter cachorros? Uma cerca branca? Eu diria agora que não me importa, mas, puta-que-pariu, importa enormemente.

Eu sei que deveria ser capaz, que deveria ter sido capaz, de levar cada decisão sua por outro viés. Mas o que eu poderia fazer? Se no meu nome do meio eu sempre abrevio, Incapacidade, pra não ficar constrangedor pra quem lê, sabe?

Não foi tudo sobre decisões suas. Foram decisões minhas também. Mas entenda o quanto é difícil saber que por decisões minhas, você também não ficou!

E nem tudo é sobre decisões, sabe?

Existem também decisões que não foram tomadas e que mesmo assim, os caminhos foram tão diversos, que, às vezes, eu acho que não saberiamais voltar. Eu perdi o caminho de volta! Você também?

Se nós dois perdemos a trilha, todas essas letras aqui, são lágrimas choradas por um infeliz leite derramado.

Às vezes tenho medo de estar perdendo a nova trilha que eu fiz. E que se eu não estiver mais aqui, as pessoas vão pensar que fui embora porque eu perdi minha, nem tão nova, trilha. Porque eu sei que estou indo embora, um pouco a cada dia, e minha, nem tão, nova trilha não tem muita parte nessa história.

Até pouco tempo eu ensava em pegar toda corda existente no mundo e usá-la para amarrar as nossas histórias. Não é possível que não fosse corda suficiente. Mais aí, veio a sua decisão e eu achei que isso não faziamais sentido. Que as cordas não seriam mais suficientes e larguei mão de tentar entender e conviver com as suas decisões, já que eu sempre fui, e temo que sempre serei, incapaz de decidir.

Não! Não que eu não queira! Eu quero, ainda que, e você sabe que eu sempre quis, mas o I. no meio do meu nome não me permitia. Eu ficava quieta e acabava amarrada por toda corda do mundo, sozinha, e amordaçada ainda por cima, sem falar e me matando de dores, por causa do silêncio.

E eu queria falar para você, mas é tudo tão impossível e distante agora, que mesmo que a idéia da corda desse certo, eu não sei se seria capaz de abrir mão de coisas para manter nossas histórias amarradas.
Você aceitaria?
Você aceitaria uma mulher tão pela metadeque eu seria?
Não respnda, porque, bizarramente, talvez você aceitasse e eu me sentiria péssima, porque talvez, eu não me movesse e ia me sentir bem sendo metade, só para ter alguma parcela fincada na sua realidade.

A grande diferença é essa. Você tem uma realidade e eu não. Tem ficado difícel de achar algo real para me ancorar, e piora a noite, agora que você está tão distante. Não geograficamente, podíamos estar lado a lado agora, e ainda assim, você estaria tão distante que eu não conseguiria tocá-lo.

Lembrei da última vezem que toquei você. E, engraçado, era um momento completamente inapropriado, as pessoas ao redor eram inapropriadas! Mas ainda assim eu podia tocar você, era muito fácil, sem peso. Hoje não mais.
Maldito tempo que corre!

Corre como um maldito cavalo de corrida e eu não tenho tempo, não tenho nem como acompanhá-lo. Você percebe como o tempo passa rápido? Não parece que foi ontem? Não parece que o tempo era mais lento?

Maldita trilha perdida.

Eu lamento, lamento sim...

"... você sonhava acordada, um jeito de não sentir dor. prendia o choro e aguava o bom do amor..."

Não, meu amor.

As coisas não são como você gostaria que elas fossem. Eu também não sou.

Mas as coisas são assim. E mesmo elas sendo assim, eu ainda o amo profundamente. Não sei explicar porque, mas amo sim, e na maior parte do tempo. Mesmo com todas as reclamações e todas as chatices, todas as ameaças veladas de que nada entre nós vai durar, ou continuar e todas as outras coisas, eu amo sim.

Quando você acha que eu sou uma suicida acomodada e que a minha vida não andará um milímetro, eu fico puta, mas eu entendo. É por que você ainda não viveu isso. E espero que não viva.

Eu sei que você deseja menos que eu, disso tenho certeza, mas não entende ainda o quanto não vale à pena. Não quero travar seus desejos. Não sou eu que vou ensiná-lo que algumas coisas na vida nunca mudam. Mas, se quando você estiver nessa lição, você me machucar para poder aprender, saiba que rirei de você quando sua bunda bater com força no chão.

O amor que eu sinto, nesse momento e na maior parte do tempo da minha vida é grande, mas meu amor, não é dois!

Eu queria poder não tremer o dia inteiro.
Eu queria também não sentir todos os dias uma urgência sem sentido que só me faz sentir que a urgência é pra acabar.
Não posso nem explicar.
As frases não conseguem ser corridas. São psicotizantemente pontuadas.
Meu pensamento anda pontuado. As vírgulas estão nos lugares errados.
E as perguntas perderam suas interrogações e se transformaram  em afirmações gritantemente exclamativas.
Elas nem gritam a verdade ainda.
O grito exclamativo que deveria dar, não é possível.
Possível é, sempe foi e sempre será. Ele não é porque seria único.
Último.
O desespero desses dias de chuva têm sido maiores do que o suportável, maior do que se  espera.
As frases longas se perdem numa logorréia sem sentido.
O sentido já foi perdido há muito tempo.
Um dia eu escrevo a história com começo, meio e finalmente, um fim.

 

Esta é a carta de desculpas que deveria ter sido escrita há cinco anos atrás.

Não espero ser desculpada agora, isso é óbvio! Mas achei que nunca seria tarde para pedir desculpas. Tenho odiado essa palavra, parece que vivo e a cada suspiro ou piscar de olhos estou me desculpando por qualquer coisa que seja, com se meus pés andassem sobre linhas muito finas que me deixam cair se eu não me desculpar com tudo e todos a cada minuto.

Mas com você é um último ato de nobreza que eu devia e não sabia se seria capaz de pagar. Não sou dada a atos nobres, eles não combinam comigo. O que combina comigo são bobagens, palavras erradas, mal-entendidos, falhas, chantagens emocionais e outras coisas. Que me levam a pedir desculpas de novo e eu não sei quando vou me cansar de errar com todos e resolver morar numa montanha distante de qualquer um que possa me dizer que eu estou errando de novo.

Eu deveria ter dito isso para você há alguns anos atrás, mas a incapacidade não me permitiu. Eu me sentia muito bem com o que você fazia pra mim. Não me importava se isso custasse a sua sanidade, a sua saúde, a sua vida. Essa era a idéia de paixão que eu tinha, hoje não é mais. Hoje me convenceram até de que paixão é perda de tempo, eu espero que isso seja também um erro, mas não sei mesmo.  

Não deveria ter dito tantas coisas, e isso o privaria de muito sofrimento. Não me sinto culpada, mas acho que poderia ter impedido muitas noites insones, para você e para mim.

As desculpas são para amenizar uma sensação de que eu não deveria ser assim do jeito que sou. Como sempre, um ato altruísta é só um ato de puro egoísmo. Precisava pedir desculpas pelo sentimento de culpa que eu sentia há anos atrás, mas quando não podia dizer pra você que não perdesse seu tempo comigo. Eu queria seu tempo, sua dedicação e sua atenção. Eu sobrevivia dela e sem ela, eu apenas mudei a direção dos meus olhos e procurei essa atenção em outro lugar.

A palavra com V que me descreve é volúvel!

Eu não queria mesmo ter feito tantas indicações e promessas, apenas para depois dizer não, quando eu podia cumpri-las, apenas não queria. As minhas escolhas sempre foram baseadas em como eu podia ficar seguramente distante e decididamente atrapalhando a sua vida.

Desculpe por ter te dado tanto e ao mesmo tempo nada, e pelo tempo de espera ao qual você se condenou baseado em minhas palavras. Eu disse algumas vezes e você deve ter se convencido, eu não sou a pessoa que você pensa que eu sou. Eu não sou nem a pessoa que eu penso que eu sou.

Desculpe pelas feridas. Acredito que você tenha recuperado seus cortes, mas eu não queria ter feito boa parte deles. Eu não queria ter sido responsável por tantas dores que você sentiu. Desculpe-me ser a grande fraude que eu fui.

Saiba que hoje uso luvas para não tocar minhas unhas em superfície alguma. As mantenho longe, os sentimentos nunca são os mesmos, mas satisfazem o que eu preciso ou alguém que precise deles. Nunca acho que suportar meus comportamentos seja algo que exclua autoflagelação, mas eu não reclamo disso.

Por fim, desculpas pelas minhas palavras!

Essas e todas que você se sentia compelido a ler e ouvir, não acredite nunca, em nenhuma delas!

Um abraço,

A.  

 

Ele estremecia enquanto jogava as tintas numa tela quase branca... Era óbvio demais que aquela tela em branco precisava ser preenchida, ficar sozinho não era mais uma opção. As cores escorriam desordenadas pelo painel, desvirginando aquele branco puro, casto, inocente, chato e entediante.

Ele lera na noite anterior, que chamavam aquilo de sublimação. Ele sentiu nesse momento que precisava sublimar, ou cortar os pulsos, se enforcar no telhado ou dar um tiro na boca seriam as formas mais fáceis de se conviver consigo mesmo.

Comprou telas, tintas e resolveu que pincéis não dariam conta da ferocidade das sensações que ele precisava colocar naquela brancura toda. Ele queria escurecer as cores, ele queria maltratar a tela, ele queria destruir. Não poderia haver destruição com as coisas ordenadas em linhas perfeitas. Ele não queria agradar aos olhos dos outros, ele queria agredir.

Não poderia haver agressão se ele fosse calmo. Não haveria sublimação. Ele não colocaria toda a raiva e desejo em pinceladas que expressariam duas maçãs num jarro velho com a sombra da tarde. Ele queria caos.

Era assim que ele estava.

Dias a fio. Madrugada após madrugada. Caos. Desordem. Distúrbio. Era assim que ele se sentia. Como quando ele andava nos ônibus e bebês queriam sorrir pra ele, e tudo o que ele podia oferecer era um olhar que intimidava o bebê. Quando o calor, e um medo irracional de parar de existir tomava conta dele dentro do metrô e os estranhos olhavam para ele com uma expressão estranha, por que ele apertava as barras com tanta força que seus dedos ficavam brancos.

Doía, e era inexplicável. Era afinal, mas não valeria a pena o esforço. Ele sabia que seria sempre um depressivo autodestrutivo com dificuldades em vínculos emocionais. Os psiquiatras deviam ter razão.

Ele nunca havia aprendido a ser feliz. E o ser feliz a que ele se referia, era um ser feliz comum. Como era estar feliz apenas? Sem dano e mania?

Como seria acordar de manhã bem-humorado, não tomar café e fumar um cigarro e sim tomar um suco e ir andar na praia? Como era se apaixonar e não estragar tudo apenas porque queria que o outro fosse feliz, nesse estado de furor em que ele estava...?

Como seria se sentir infeliz sem ter um choro fácil vindo quando se anda numa rua comum? Como seria ser infeliz sem ter vontade de dormir pra sempre? Como seria ser infeliz sem olhar prédios altos com um ardor estranho?

Enquanto se questionava sem racionalizar... ou racionalizando enquanto se questionava, ele ia jogando as tintas, para que elas criassem um aspecto hostil. Elas deveriam incomodar, elas deveriam ser feias, assim como uma dor e um medo que não podiam ser expressos.

Ele esperava que assim fosse...

  

É sempre uma dor tão grande. Mas tem sido mais. As palavras não saem mais como lindas flores se despedaçando numa primavera que não conhecemos em lugares como esse. São sempre, agora, partos forçados e muito doloridos. Com ou sem sangue, não importa, dói muito agora.

A poesia é antiga, a rima não existe mais, as linhas se perderam em algum momento que não se pode achar.

 

O que se pode fazer agora é esperar.

 

Que a dor passe, por que é sempre impossível negar a luz a uma palavra que pede por olhos, que não os meus. 

Novo Futuro

Quando o tempo passa não somos os mesmos.

Os dias se passaram, os anos se passaram, e não adianta, eu não sou a mesma. Tenho pensado nos últimos dias que eu nem sou eu mesma.

Então, os textos aqui vão aparecer mais, em muitos dias, muitas vezes. Esquizofrênicos, mas abundantes. Os novos eu’s não prezam pela qualidade, prezam pela quantidade.

Não reclame, porque não será levado em consideração.

Obrigada pela espera, mas não fazia diferença nenhuma.

Ana.

Ler nem foi tão difícil, abrir o livro era fácil... O difícil era fechar. Fechar o livro significava pensar sobre ele. Era inevitável pensar sobre ele. O livro não me permitia respirar ao ser fechado se eu não pensasse nele o tempo inteiro.

Nunca havia levado semanas pra ler um livro de umas 300 páginas. Eu sempre li muito rápido... Eu sempre corri e esse livro me prendia e não me deixava enxergar muito bem o que eu via. Eu tentava. Queria. Mas era luz demais.

Quando eu finalmente terminei de ler. Eu fechei o livro e pensei: Se eu não escrevi esse livro, eu não posso escrever nenhum!

Com o fim ficou uma dor meio estranha. Uma dúvida pairando. Parecia que havia alguma coisa que eu precisava entender lendo aquele livro, que havia passado desapercebido por minha, nem sempre aguçada, percepção. Estava ali, exibindo-se aos meus olhos, e eu não conseguia enxergar. Mas ela chamava atenção. Pedia que eu olhasse... Mas o que era?

Ainda não sei. Desisti de saber. Um dia, ainda pensando no livro e em todas as angustias que ele trouxe, eu estava no ônibus. Eu sempre penso no ônibus. Tinham muitos carros na rua, e eu pensava em ordem, em como aquelas pessoas e eu também precisava dessa ordem pra viver. E eu estava desorganizada. Quem organizava aquelas pessoas?? Eu sei o que me desorganiza, as pessoas que me desorganizam, as palavras que me desorganizam, os sonhos que me desorganizam... Mas e aquelas pessoas??

Aí eu olhei pro lado no ônibus e tinha uma freirinha. Daquelas velhas e com ar virginal. E percebi que deus também organizava as pessoas, organizava muitas daquelas pessoas. Mas nunca me organizou. E como o cego que constata que está cego quando volta a enxergar, eu constatei que não acreditava em deus. E continuo não acreditando. Deus continua não me organizando, nem me desorganizando.

Acho que entendi o que tinha que entender daquele livro. Mesmo que reste ainda uma dorzinha de expectativa, sobre algo que ele ainda vai me revelar.

 

PS.: Desculpe pelo texto tão, eu-eu-eu... Mas ele estava preso e precisava de ar.

PPS.: Obrigada Saramago, por destruir a minha vida.

*Trilha Sonora – Put the book back on the shelf >> Belle and Sebastian

Ela vivia presa em um vão, entre a certeza e a extravagância. Às vezes encostava-se na sobriedade, outras vezes, apenas se deixava levar pelos sentidos.

Ele, obviamente, não entendia.

Ela escolhia sempre. E mesmo quando tudo parecia tresloucado e sem sentido, havia sido de alguma forma calculado por ela. Não dava ponto sem nó. Não deixava fios soltos.

Ele, obviamente, não via assim.

Ela estava sempre disposta. A mudar, a ceder, a exigir, a amar, a dar, estava sempre disposta. E sabia, com a certeza de que o sol nasce todos os dias, que quando aquela disposição se fosse, nada sobraria.

Ele, obviamente não estava sempre disposto.

Ela já havia feito esforços sobre-humanos para manter, reforçar e certificar. Sabia que seus desejos eram fúteis e sempre, sempre, eram pueris. Mas eram desejos, e como qualquer desejo que fosse, era perigoso. Vindo dela, eles eram um pouco mais do que perigosos, eles eram funestos.

Ele, obviamente, ainda não havia pensado em tudo isso.

 

*Trilha Sonora – 1, 2, 3 >> Camille Dalmais  

Ele olhava pra ela e não acreditava em nada do que via, parecia tudo tão encenado, que tudo só poderia ser muito verdadeiro. E a cada sorriso que ela dava, tão feliz, ele se sentia novamente deitado sob ela, mas dessa vez, era ela que o penetrava, e com um salto agulha, bem no meio do seu peito, fazendo seu coração parar aos pouquinhos.

Obcecado com aquela mulher, ele sabia que não poderia abandoná-la nunca, mas a cada volta que dava em volta dela, sentia voltar em seu coração as dores antigas e revolver seu sangue com mais alguns centímetros de salto cravado em seu peito.

Sentia-se totalmente vulnerável. Era apenas a felicidade dela que estava matando-o. Seu sorriso sincero, seus olhos brilhando, sua pele lisa, seu cheiro de banho tomado. Era a aura de perfeição que a rodeava, sua segurança sempre medida, estava perfeita, e isso fazia com que ele pensasse em toda a atenção que ela recebia, em todo o amor que ela recebia, e que dava.

Além de tudo isso, ardia-lhe as entranhas pensar que outro homem podia tocar-lhe. O salto se afundava em seu peito sem pena, fazendo-o gemer, quando não havia motivo. O que sentia era ódio, não sabia se dela, por estar feliz ou do outro que sabia fazê-la feliz, como ele não sabia. Como ele nunca soube.

Cravou-lhe por fim no peito aquele punhal doloroso da perda, ao perceber que ela já não o procurava com os olhos. Que ela flutuava no meio das gentes, sem perceber que ele a procurava, que ele a queria, era como se tudo tivesse se perdido e ela já não procurasse. Ele sabia, sabia ver em seu rosto e em seus movimentos, quando mesmo impossível, ela o sentia por perto e o dizia mudamente que o queria sempre, mas ela já não andava assim.

Foi essa certeza que afundou por fim o salto de seu sapato muito alto em seu peito, fazendo-o ter certeza de que havia morrido para qualquer sensação que não fosse o amor daquela mulher.  

 

*Trilha Sonora - Los Hermanos >> Do Lado de Dentro

Em alguns momentos eu tento racionalizar...  força do hábito. Mas então eu me esforço e percebo que por mais insana que eu seja, a minha loucura é mais louvável, sempre foi e sempre será.

E a minha irracionalidade ainda apertará botões errados, ainda dirá frases sem verdade e ainda sorrirá sem pena... sem piedade... mas...

Sempre há um mas, uma adversativa palavra permeando os dias e noites e serão elas que farão as engrenagens andar. São sempre elas... e aqui não será diferente.

Elas sempre darão o tom de perda trágica e de felicidade sem limites, tudo obviamente uma grande mentira, mas são necessárias. E o meio-termo fica perdido entre coisas ponderadas e sem graça.

O prazer é sempre guiado pelas coisas que circulam pelas extremidades, sem limites, o bom senso ficou perdido há anos. Seja choro ou espanto, seja raiva ou prazer, não há uma possibilidade de ser mais-ou-menos. Só pode ser se for sem estribeiras, sem demarcações.

E se quiser demarcar, que seja a fogo, outra forma, eu não aceito.

 

*Trilha Sonora – It’s always the same – Marc Collins

P de Paixão

Além das chicotadas, a paixão traz o canto dos passarinhos de manhã na janela. Além das lágrimas em algum momento da vida, a paixão traz também bom humor de manhã, quando você nunca acorda de bom humor. Além das torturas e chantagens baratas, a paixão traz também um riso idiota por bobagens sem fim. Além dos joguinhos, a paixão traz também uma pergunta importante: Sutiã pra que?

Além daqueles dias ou noites de raiva e ciúmes e incerteza e apego patológico, a paixão traz saudades mesmo quando ainda estamos nos despedindo. Além da angustia dos namorados, a paixão traz um deleite por pequenas coisas. Além de medo, a paixão traz uma satisfação estranha apenas por andar de mãos dadas. Além do tesão, a paixão traz uma felicidade boba que você desacreditou quando tinha quatorze anos.

Além de todos esses sentimentos deliciosamente perversos, que vivemos com mais desejo que qualquer outra coisa, a Paixão inflama um lado besta. Um lado que ri a toa. Detona umas coisas bobas que você já havia esquecido que poderia fazer e se sentir tão bem com elas. Deflagra uma vontade inexplicável de passar um dia inteiro sem fazer nada... só falando bobagem e vendo a chuva cair... Algumas paixões são tão estranhas, mas elas, quando bem vindas, são lindas mesmo assim...

 

*Trilha Sonora >> Los Hermanos – Mundo aos meus pés

Se você beijar meus pés, eu prometo que não mordo você. E não deixo você sozinho como nas noites em que você me liga dizendo que aceita sua derrota.

 

Se você pintar minhas unhas de vermelho, atrás de uma cortina de Nabokov, eu prometo que não o empurro da cama. E não deixo você pensando em onde eu estaria.

 

Se você puxar meus cabelos e me obedecer nas horas certas, eu prometo que não sumo nos dias e noites importantes. E não deixo você arrancando os cabelos na frente do telefone.

 

Se você me aceitar e me entender, eu prometo que não rasgo seu passado e oprimo seu presente. E não deixo você perdido quando eu for embora.

 

Se você compreender meus ataques de loucura, eu prometo que poupo você da agressividade. E não deixo você machucado para quando eu voltar a sanidade.

 

Eu prometo que faço. E também, prometo que não faço.

Olha só, vem devagar certo?

Algumas coisas não mudam, mas são sempre diferentes. E eu não estou acostumada a essa distância tão pequena... Eu prefiro uma distância que me permita pensar. Você sabe disso.

Então, se você tem que chegar aqui perto, venha com calma, devagar e seguro. Não fraqueje. Se no meio do caminho você achar que vai cair de joelhos, lembre-se de que eu não aceito erros desse tipo.

Pense com delicadeza, calma e serenidade, chegar perto do que arde e dói sempre machuca, mas às vezes é bom.

Escolha sim, mas escolha com a ponta dos dedos. Pensando com bastante sutileza nos seus desejos e nos meus, assim, ninguém sangra e ninguém sofre.

 

Assim, o céu fica muito mais bonito quando a gente acorda de manhã.

 

Assim, eu não preciso afastar você da minha segurança.

 

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